Muitos vidraceiros trabalham muito, entregam dezenas de instalações e, no fechamento do mês, têm a certeza de que o dinheiro que entra não está sendo suficiente.
Na maioria das vezes, o problema não está na falta de vendas, mas na forma como o preço é definido.
Cobrar olhando apenas o preço que o concorrente vende o m² ou multiplicar o custo dos materiais (vidro, perfis, ferragens e insumos) por dois pode até parecer mais simples ou a melhor decisão, mas, na verdade, é uma armadilha para a saúde financeira da vidraçaria.
O lucro vem da organização, do controle e de uma precificação baseada nos números da operação. A seguir, separei algumas dicas para ajudar você a precificar o seu trabalho de maneira justa e correta.
O erro que mais destrói a margem da vidraçaria
Imagine duas obras com tamanhos similares. À primeira vista, ambas parecem valer o mesmo preço. Mas uma delas exige:
- Perfis de alumínio mais robustos;
- Instalação em altura;
- Deslocamento longo;
- Trabalho em condomínio com restrição de horário;
- Maior risco de quebra.
Se o preço for definido apenas pelo metro quadrado, essa obra (a mais complexa) pode consumir muito mais tempo, equipe e responsabilidade, sem gerar um centavo extra. É exatamente por isso que a precificação precisa ir além da chapa de vidro.
A lógica da Gestão OCV: organizar, controlar e vender para lucrar
Uma forma simples de pensar a gestão da vidraçaria é a Gestão OCV:
O – Organizar para controlar
Antes de vender, é preciso saber quanto custa manter a empresa funcionando.
C – Controlar para precificar
Com os custos organizados, o orçamento deixa de ser um chute e passa a ser um cálculo.
V – Vender melhor para lucrar
Quando o valor do serviço está claro, a conversa com o cliente muda. Em vez de disputar apenas preço, você passa a vender segurança, acabamento, garantia e resultado.
Os custos que também precisam entrar no orçamento
Para chegar a um preço justo, você precisa considerar a operação completa. Confira os quatro pilares que costumam ficar de fora do cálculo tradicional:
1. Deslocamento e logística
O tempo dentro do carro também é tempo de trabalho.
Considere:
- Combustível;
- Pedágio;
- Estacionamento;
- Desgaste do veículo;
- Horas perdidas no trânsito.
Lembre-se que uma obra distante pode consumir um turno inteiro apenas em deslocamento.
2. Mão de obra
Não basta calcular o valor pago ao ajudante.
Pergunte:
- Quantos dias a obra vai durar?
- Haverá trabalho em domingos ou feriados?
- Serão necessários turnos extras?
- Quantas horas efetivas serão dedicadas ao serviço?
Agora, vem a questão mais importante:
- Quanto vale uma hora do seu dia?
Se você não sabe esse número, provavelmente está vendendo sua mão de obra por menos do que ela custa.
3. Ferramentas e equipamentos
Ventosas, furadeiras, andaimes, plataformas, EPIs, escadas, medidores e ferramentas sofrem desgaste em cada instalação.
Esse custo não está na nota do cliente, mas aparece no caixa da empresa quando o equipamento precisa ser substituído.
4. Alimentação, hospedagem e necessidades básicas
Em obras externas ou de longa duração, entram despesas como:
- Alimentação da equipe;
- Água;
- Hospedagem;
- Higiene;
- Pausas operacionais.
São gastos pequenos individualmente, mas relevantes quando somados ao longo do mês.
Nem toda obra tem o mesmo grau de dificuldade
Dois projetos com o mesmo metro quadrado podem exigir esforços completamente diferentes.
Obras mais simples:
- Casa térrea;
- Acesso fácil;
- Instalação rápida;
- Baixo risco.
Obras mais complexas:
- Edifício com morador;
- Acesso por escadas;
- Espaço apertado;
- Trabalho em altura;
- Uso de andaime;
- Exposição a vento e chuva;
- Proximidade de rede elétrica;
- Necessidade de desmontar plataformas durante a execução.
- Obras que liberam campo de trabalho picado (sem fluxo de trabalho).
Quanto maior a dificuldade, maior deve ser a remuneração pelo risco e pela responsabilidade assumida.
E se houver quebra ou retrabalho?
Uma das perguntas que mais afetam o lucro. Quando existe quebra ou retorno na obra, geralmente quem paga é o vidraceiro, com exceção de casos em que houve um acordo prévio. Sendo assim, é importante analisar e considerar essa possibilidade na precificação.
E se o problema for causado por outro fornecedor?
Existem dois tipos de problemas mais comuns causados por fornecedores:
1º: o fornecedor atrasa a conclusão do vão onde será instalado os vidros
Isso gera um retrabalho inesperado ou até mesmo a contratação de uma equipe extra para manter o prazo acordado com o cliente.
2º: o fornecedor entrega um serviço ou produto incompatível
Os mais comuns são pedras e revestimentos ocos, substratos ou acabamentos propensos a vazamentos, vão tortos ou sem estrutura ideal para fixação e/ou suporte para intempéries que incidirão sobre o envidraçamento. Neste caso, o vidraceiro precisa avaliar as condições.
Portanto, sempre estude o vão recebido antes de iniciar o trabalho. Ao perceber algum defeito que possa prejudicar a garantia do seu serviço, documente e notifique o cliente.
E se a medição original do cliente estiver errada?
Não é aconselhado produzir materiais baseado apenas nas medidas estabelecidas em memorial descritivo, projeto ou na medição fornecida pelo cliente.
No entanto, existem exceções: os famosos “vãos combinados”. Quando isso acontece, é imprescindível que a situação seja documentada e o cliente esteja ciente que os vidros serão produzidos conforme o acordado.
O perfil do cliente também muda a precificação
É importante entender que nem todo contratante compra da mesma forma. Confira alguns perfis para saber o que esperar em cada situação.
O cliente prático
Quer rapidez, objetividade, solução imediata e prazo documentado para a conclusão.
O cliente focado em custo-benefício
Compara preços e busca o melhor equilíbrio entre investimento e resultado.
O cliente detalhista
Exige informações técnicas, referências, inspirações e explicações completas, antes e durante a execução da obra. Além disso, realiza o pagamento final somente após analisar detalhadamente aspectos ligados aos acabamentos dos produtos, funcionalidades e qualidade, conforme sua expectativa.
O cliente corporativo ou de licitação
Demanda documentação, auditoria, reuniões, integração de equipe e processos formais.
O cliente industrial
Pode exigir colaboradores registrados, treinamentos, integração de segurança e cumprimento rigoroso de normas.
Perceba como o esforço comercial e operacional muda em cada cenário. Isso também precisa ser remunerado.
Segurança e acabamento não são “extras”
Quando o orçamento é apresentado apenas como “X reais por metro quadrado”, o cliente enxerga o vidro apenas como mais um elemento da obra.
No entanto, o que ele realmente está comprando é:
- Medição correta (previsibilidade e eficiência);
- Especificação adequada (durabilidade e manutenibilidade);
- Instalação adequada (segurança);
- Acabamento de qualidade (estética e valorização do imóvel);
- Responsabilidade técnica (segurança jurídica, conformidade legal e mitigação de riscos).
É aqui que o uso de produtos certificados da VIVIX ganha força no orçamento.
As nossas soluções oferecem conformidade com os requisitos de qualidade do setor. Isso reduz riscos de retrabalho, aumenta a confiança do cliente e fortalece a percepção de valor do serviço executado. Em resumo, a qualidade ajuda a proteger a margem.
O caminho para o lucro
Antes de enviar o próximo orçamento, faça cinco perguntas:
1. Quanto essa obra custa em materiais?
2. Quanto ela consome da minha equipe e do meu tempo?
3. Quais riscos e responsabilidades estou assumindo?
4. Quanto preciso receber para manter a empresa saudável?
5. Qual margem de lucro faz essa obra valer a pena?
Com essas respostas na planilha, o preço deixa de ser um palpite. E quando o orçamento é sustentado por organização, controle e produtos de qualidade, a vidraçaria passa a construir lucro previsível e sustentável.
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